Misiones e Brasil reforçam comunicação sobre vazão da Foz do Chapecó diante do risco de novas cheias

Representantes do Governo de Misiones, de municípios argentinos e brasileiros da bacia do Rio Uruguai se reuniram virtualmente nesta terça-feira (18/08) com técnicos e dirigentes do Departamento de Hidrologia da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, no Brasil. O encontro ocorreu diante da preocupação com o avanço do fenômeno El Niño e a possibilidade de períodos de chuvas intensas nos próximos meses. A reunião trouxe como principal resultado o fortalecimento da comunicação entre a usina e os municípios localizados rio abaixo, permitindo que informações sobre vazões e condições de operação sejam repassadas de maneira mais rápida às comunidades que podem ser afetadas por uma eventual elevação do Rio Uruguai. Também ficou prevista uma visita de representantes de El Soberbio e de outros municípios argentinos à Foz do Chapecó nos próximos meses. A intenção é conhecer de perto o funcionamento da hidrelétrica, seus protocolos de segurança e os mecanismos utilizados para comunicação durante situações de maior vazão. Argentinos propuseram liberação mais gradual Durante o encontro, os representantes argentinos apresentaram uma proposta para que, diante da previsão de chuvas volumosas, a liberação da água pudesse ocorrer de maneira mais gradual, evitando variações bruscas no nível do Rio Uruguai. A proposta, porém, não recebeu uma confirmação definitiva por parte da usina. Segundo Julián Kruszelnicki, chefe dos Bombeiros Voluntários de El Soberbio, os representantes da Foz do Chapecó explicaram que a hidrelétrica opera no sistema “a fio d'água”, sem um grande reservatório destinado ao armazenamento de volumes significativos de água. Dessa forma, a usina precisa liberar a água que recebe, dentro dos protocolos de segurança e das determinações do sistema elétrico brasileiro. A operação também não depende exclusivamente da administração local da hidrelétrica, já que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) coordena a operação das usinas e considera as condições das barragens localizadas rio acima. Foz do Chapecó não é a única responsável pela elevação do Rio Uruguai Outro ponto destacado durante a reunião foi que a vazão liberada pela Foz do Chapecó não explica, sozinha, a elevação do Rio Uruguai. Os participantes fizeram uma comparação com a situação registrada em 2024. Segundo Kruszelnicki, o volume de água vertido pela usina nos últimos dias chegou a ser semelhante ao daquele período. Entretanto, enquanto em 2024 o Rio Uruguai chegou a aproximadamente 17 metros em El Soberbio, atualmente atingiu cerca de 14,50 metros. A diferença demonstra a influência de outros fatores, principalmente das chuvas que ocorrem abaixo da barragem e dos diversos rios e arroios que desembocam no Rio Uruguai ao longo do percurso. Além disso, a Foz do Chapecó recebe água de outras usinas localizadas na parte superior da bacia. Conforme explicado durante a reunião, existem diversas barragens rio acima, sendo que apenas algumas possuem reservatórios com capacidade de armazenamento. As demais também funcionam no sistema de fio d'água. Sistema de prevenção continua ativo Enquanto as tratativas com o Brasil avançam, os municípios argentinos próximos ao Rio Uruguai mantêm seus sistemas de prevenção e alerta. El Soberbio, uma das cidades mais diretamente afetadas pelas oscilações do rio, mantém um plano de contingência e um sistema de alerta que funciona desde 2017, permitindo antecipar situações de risco e organizar eventuais evacuações. A reunião desta terça-feira também serviu para ampliar o conhecimento das autoridades argentinas sobre as limitações técnicas da Foz do Chapecó e sobre o funcionamento do sistema brasileiro de geração de energia e controle das vazões. Dados da usina mostram vazão monitorada nesta terça A própria Foz do Chapecó mantém em seu site oficial dados atualizados sobre a operação da usina. Na medição das 18h desta terça-feira (18), a vazão afluente era de 1.543,89 m³/s, enquanto a vazão turbinada era de 1.121,14 m³/s e a vazão vertida, de 214,42 m³/s. Os números são atualizados periodicamente e permitem acompanhar o comportamento da usina e do Rio Chapecó. Próximo passo será a visita à usina A visita de representantes dos municípios argentinos à Foz do Chapecó deverá ser o próximo passo das tratativas. A intenção é aproximar as equipes responsáveis pela prevenção de enchentes dos técnicos da hidrelétrica, permitindo maior compreensão sobre os protocolos de operação e, principalmente, melhorando o fluxo de informações em períodos de chuvas intensas. Por enquanto, não houve um compromisso da Foz do Chapecó para alterar de forma independente seu regime de descarga. O principal avanço foi o fortalecimento da comunicação entre Brasil e Argentina e a abertura de um canal para discutir medidas preventivas diante de possíveis novas cheias do Rio Uruguai. A discussão interessa diretamente aos municípios da região do Alto Uruguai, incluindo aqueles situados às margens do Rio Uruguai no Noroeste do Rio Grande do Sul, que acompanham de perto as condições da bacia diante da possibilidade de novos episódios de chuva volumosa. Fonte: Guia Crissiumal Postado: Clecio Marcos Bender Ruver

Misiones e Brasil reforçam comunicação sobre vazão da Foz do Chapecó diante do risco de novas cheias
Misiones e Brasil reforçam comunicação sobre vazão da Foz do Chapecó diante do risco de novas cheias (Foto: Reprodução)

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